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O que fazer para ganhar a vida eterna?

By: P. Carlos Padilla

Hoje recordamos os falecidos. Eles nos precedem na eternidade. Sabemos, pelo que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, o quão é importante rezar pelos falecidos. Mas, será somente isso? Não vem espontaneamente em nossa mente: será que estou também preparado para este momento? Jesus diz no Evangelho que a morte virá como um ladrão, no meio da noite. Isso quer dizer: eu não sei nem o dia e nem a hora… A reflexão sobre a pergunta que o jovem faz a Jesus pode nos ajudar a viver intensamente o momento presente, pois é dele que depende o nosso futuro, especialmente nosso encontro decisivo com Deus, no último momento de nossa vida.

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As perguntas que nos acompanham ao longo da vida

Existem muitas perguntas dentro do meu coração. Perguntas que têm a ver com esta vida, com meus medos e meus desejos, com meus sonhos e minhas expectativas. Questões importantes. Espero, talvez, respostas que mudem tudo.

Hoje acolho em minha alma a pergunta que fazem a Jesus: «Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”»

É a pergunta importante.

Ao longo do caminho, permanecem as questões que têm a ver com o hoje, com a minha vida cotidiana: O que fazer para ser feliz agora? Como fazer as pessoas que amo felizes hoje? O que me falta para que minha alma esteja plena? São questões da vida. Elas vivem no presente e despertam meus sentidos para o hoje, sem pensar no amanhã. Mas, ainda assim, esta pergunta sobre a eternidade paira sobre minha vida. É como uma questão em aberto. […]

Às vezes, ao ouvir essa pergunta nos lábios do jovem rico, parece-me que ele está buscando receitas. Algo como um roteiro para se chegar a um bom porto; um cumprimento exato e

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perfeito de todos os preceitos da lei de Deus. E me angustia fazer esta pergunta a mim mesmo, ou que alguém me pergunte isso. Talvez tenha que repetir a mim mesmo, mais vezes, a antífona do Salmo para não esquecer o rosto daquele Deus que procuro e amo: “Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor”. […]

Vejo, então, que a pergunta do jovem rico está mal formulada. “O que tenho que fazer?” É quase como se quisesse saber exatamente quais passos deve dar para chegar ao céu. Como se a vida fosse uma ciência exata.

Muitas vezes eu vi pessoas obcecadas com o cumprimento [de regras]. Não para viver felizes hoje, mas para herdar a vida eterna. Elas buscam receitas, um plano exato para seguir e cumprir. O Pe. José Kentenich comentou certa vez: “Existem aqueles que parecem ter como única tarefa de sua vida cumprir regras o dia todo. Essa observância tem certamente um significado profundo, mas apenas se colocada em contexto. Há algo mais do que a mera justiça que se limita a dizer: Está feito! Que tudo tenha como pano de fundo a motivação central do amor. O amor ajudará a cumprir, por amor, cada uma das prescrições a se realizar”.[1]

Encontro, então, a chave para o cumprimento: o amor. Não se trata de fazer as coisas, mas de fazê-las por amor. Tudo se deriva daí. Não o “cumprir pelo cumprir”. Não consiste em “permanecer puro” na linha que separa o virtuoso do pecador. A resposta é outra. É sobre meu amor surgindo em tudo o mais. Que quando eu rezar, seja por amor. Que quando me exigir renúncias e sacrifícios, seja por amor. Serei julgado, no último dia, pelo amor, não pelo cumprimento exato de tudo.

O ruim é que o amor não é tão claro em suas exigências. Não é um conjunto de regras claramente declarado, com todas as suas exceções e possibilidades. O amor é muito mais profundo e verdadeiro. Tem horizontes, não tem limites.

Onde eu sinto que se lança o meu amor hoje?

Claro que quero viver a vida eterna, quero herdá-la, quero possuir o amor de Deus para sempre. Mas, quero caminhar a partir do meu amor, a partir daquilo que sou, da minha verdade. O que tenho que fazer?

Muitas vezes não estou certo sobre a resposta. Sei distinguir muito bem entre o bem e o mal, entre aquelas coisas que me fazem crescer como pessoa e aquelas que me fazem definhar, entre o que me leva a ser generoso e o que me torna egoísta. Nesses momentos, não há dúvida: não temo, ajo. Opto pelo amor e funciona.

Mas, de repente, surgem dúvidas. Tenho que escolher entre um bem e outro possível bem. Duas coisas boas que se chocam no tempo e exigem que eu dê uma resposta clara. Onde Deus me quer neste momento? O que Deus quer que eu faça com minha vida? Tenho que seguir esse caminho ou o outro? Nesses momentos de incerteza, tremo e duvido. Sinto que cargas pesadas estão sobre mim.

Onde Deus fala comigo? É a pergunta mais verdadeira que surge ao longo do caminho.

Entre dois possíveis bens, entre dois caminhos de santidade diante dos meus olhos: qual escolho? Não posso contar com um roteiro. De nada me servem as receitas que me propuseram. Neste momento, só tenho o coração para buscar com calma e lucidez a vontade de Deus, ver onde Deus vai tornar minha vida mais frutífera e sabendo que, seja o que for que eu escolher, Deus não vai me deixar no caminho, ele estará comigo em minhas decisões.

Não sei se as minhas escolhas serão as corretas, não sei se o outro caminho teria sido o mais desejado por Deus – talvez só no céu eu saiba disso – mas tenho uma certeza: Lá, no que eu escolhi, no bem pelo qual optei, se eu o busquei com humildade, como uma criança aberta à vontade de Deus e vi que ele ia por ali, nesse momento de lucidez, tenho que guardar a certeza: Deus me acompanha e abençoa cada um dos meus passos. Isso me dá muita paz.

[1] Kentenich Reader Tomo 2: Estudiar al Fundador, Peter Locher, Jonathan Niehaus

Homilia do Pe. Carlos Padilla Esteban, de 14 de outubro de 2018. Veja o texto completo, em espanhol, aqui

 

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