Heinrich Brehm

Falamos de uma jovem do Movimento de Schoenstatt que encontrou seu apostolado como uma pessoa que afirma a vida.

Na entrevista, ela deseja permanecer no anonimato, porque aqueles que se opõem à proteção da vida do bebê no ventre da mãe, atualmente costumam reagir de forma radical contra pessoas como ela, com campanhas de desprestígio. Na entrevista com Schoenstatt, ela deixa claro o que considera importante. Você tem anos de experiência no contato com mulheres grávidas necessitadas. Você enfatiza sua base nos valores cristãos. Você se descreve como uma ativista pró-vida? Essa é uma pergunta apaixonante. Na realidade, não me denomino assim e esse termo é difícil para mim. Porque enquanto existem tendências muito extremas entre os chamados pró-vida, não me identifico com eles também. A vida não nascida é importante para mim, e começa desde o momento em que o espermatozoide e o óvulo se fundem (concepção). Para mim, é um milagre, a partir daí existe vida e em consequência, digna de proteção. A vida não nascida necessita de defensores, uma voz, porque um bebê no ventre materno ainda não consegue expressar sua voz. Não é muito unilateral considerar “somente” a vida não nascida? Alguns pró-vida somente olham ao bebê não nascido e não a mulher grávida, às vezes condenando-a com conceitos moralistas. Essa não é minha atitude. Em minha opinião, só é possível ver o bebê com a mãe. Assim comparo: em Schoenstatt temos uma relação com a Virgem Maria e podemos sentir uma profunda relação com seu Filho. Cremos e experimentamos que Ela nos conduz a Cristo. É uma conexão com o coração, algo profundamente humano. É certo que muitas mulheres grávidas sentem e conhecem esta conexão com seu filho e falam disso. Por isso não costumam tomar uma decisão fácil. Como você se descreve então? Considero-me uma pessoa que afirma a vida. O que quer dizer com isso? Que entende com essas palavras? Afirmo a vida – em sua plenitude. A vida do bebê e a vida da mulher. Afirmo a vida com seus altos e baixos, com a alegria e o sofrimento. Neste sentido, também afirmo as situações de conflito na qual se encontram muitas mulheres. Não quero pintar um quadro em preto e branco, mas sim quero olhar e apreciar a vida em todas as suas cores e facetas. O paraíso está em outra parte. Quando me encontro com mulheres grávidas necessitadas, são muitas as coisas que trazem consigo em termos de preocupação e sofrimento. Eu vejo e levo a sério sua situação. As próprias mulheres costumam estar num estado de confusão interior e o bebê em si não é o problema, e sim muitas outras coisas que o rodeiam, por exemplo: a falta de estudos ou de uma qualificação profissional, a situação econômica, as exigências excessivas, a falta de apoio ao seu redor, os problemas de relacionamento com o companheiro, etc. Com a mulher, examino o que poderia ajudá-la, especialmente em longo prazo. Analisamos o que se ajusta às suas convicções e como algumas pedras poderiam ser retiradas de seu caminho. Assim que afirma a situação da mulher grávida e do seu bebê... Sim, afirmo a vida, porém não me restrinjo à vida, mas, ao mesmo tempo, busco soluções sustentáveis e possibilidades que sejam coerentes, adequadas. Tomo a vida em minhas mãos, por assim dizer. Creio que uma mulher grávida em apuros tem direito a receber ajuda e apoio para sair do conflito e retomar as rédeas de sua vida. Às vezes, basta um ouvido aberto e atento, outras vezes uma ajuda prática. E outras vezes é necessário um grande apoio que se estende a muitos âmbitos da vida. Somente quando todos os obstáculos são eliminados do caminho, existe a possibilidade de poder escolher livremente, a partir do interior. Com respeito à questão política, o que é difícil para você? É fácil ler superficialmente as reivindicações de “despenalização do aborto” ou, por exemplo, da “saúde reprodutiva” quando não se está familiarizado com esses termos. Isto pode ser facilmente um engano. Existem padrões de pensamento ideológicos por trás disso, um feminismo que só vê a vida das mulheres como algo digno de ser vivido, e o aborto como um direito em qualquer momento, por assim dizer. E o que essa suposta liberdade faz com uma mulher grávida? Um exemplo: quando se completam as 12 semanas, muitas grávidas sentem uma espécie de pressão. Entre outras coisas, porque os demais já não podem incitá-las a abortar ou porque a decisão já está tomada. Mesmo que as controvérsias sejam excluídas, algumas mulheres grávidas continuam a ser pressionadas a abortar até o parto. É isso que faz com que não sejam livres interiormente; as mulheres se veem pressionadas. E essa pressão é constrangedora. Por outro lado, deveria haver maior número possível de opções para que as mulheres possam voltar a respirar e considerar possível e legítima uma vida com seu filho. Ser cristão e ser político, como isso se relaciona para você? Vivo neste mundo, nesta sociedade, e Deus me deu a vida neste mundo. Ao mesmo tempo, recebi uma missão. Para mim, é parte do meu ser cristão ajudar a dar forma a questões sociais; seja como tratamos nossa Terra, como defendemos a justiça e a paz, ou a maneira de vivermos juntos e nos relacionarmos. Minhas raízes, minha fé são meus fundamentos; vivo disso. Acredito que como cristãos temos que manter os olhos abertos e estar atentos ao que move nossa sociedade. E então entra em jogo a liberdade, cada um deve buscar-se a si mesmo: em que me envolvo e de que maneira, segundo minhas capacidades e vocação? Como cristãos, nem todos temos a mesma opinião, porque simplesmente somos pessoas diferentes. Porém, acredito que existem valores que podemos e devemos defender. Portanto, gostaria de chamar a atenção para esta questão. Gostaria de chamar a atenção sobre o fato de que se trata da vida. Que possibilidades você vê para si mesma, em termos de política? No que diz respeito a minha preocupação, conto-lhes que assinei uma petição. Porque não posso e nem quero aceitar tranquilamente o que está acontecendo atualmente. Quero ao menos deixar claro com minha assinatura: não creio que seja o melhor que se possa fazer às mulheres grávidas que tenham a opção de abortar mesmo próximas a dar à luz. Não apoio estas correntes e por isso quero defender os bebês que já estão vivos no ventre materno. Uma pergunta para concluir: que tipo de mundo você deseja, em relação à proteção da vida? Que nós cristãos não nos esqueçamos da dignidade que Deus nos deu e defendamos assim uma vida digna desde a concepção até a morte. Que as jovens e as mulheres possam ser personalidades firmes e tenham direito de receber ajuda, também e especialmente num conflito durante a gestação. Desejo menos julgamentos e condenações e mais corações abertos. Desejo uma sociedade em favor da infância e da família, na qual não se planeje ter filhos até o extremo; e se as coisas acontecerem de outra forma, que não se deixe o castelo de cartas desabar. Desejo mais apoio às famílias e mães solteiras. Desejo que todos os filhos sejam bem-vindos.