A pedagogia de Schoenstatt se utiliza diversas vezes de símbolos para representar os ideais e as metas a que nos propomos. É comum ver bandeiras, camisetas, bonés… com imagens que sintetizam nossa missão. Na Itália, algumas famílias do Movimento também aplicam essa proposta pedagógica em sua própria vida familiar. Hoje nós vamos conhecer algo que ganha vida entre as famílias italianas do Movimento, aplicando estratégias da pedagogia de Schoenstatt. Eles se propõem a criar de um escudo e a definir um “ideal matrimonial”.
O escudo (um brasão) representa a vida diária entre pais e filhos. Nessa imagem, eles expressam suas características conjugais e o caminho que desejam seguir. O ideal matrimonial resume o espírito com o qual querem abraçar sua vocação.
Como descobrir o ideal matrimonial?
Não existe um caminho único, porém, algumas reflexões podem ajudar nesse passo a passo.
Para trazer um exemplo concreto, podemos ver como esse trabalho foi desenvolvido no grupo da Liga de Famílias de Schoenstatt da Toscana, em Perignano (Itália). Os casais foram convidados a criar um “escudo do casal” e – posteriormente – definir seu “ideal matrimonial”.

Cada dupla foi direcionada a um momento de escuta e discernimento, para reler sua história através de símbolos, memória compartilhada e diálogo. Isso os levou a assumir uma visão mais consciente da identidade matrimonial e familiar.
O “Escudo de casal” torna-se, assim, a linguagem visual daquilo para o qual os esposos são chamados: dar um nome, um lema ou um símbolo ao ideal de casal e reconhecer sua vocação concreta e única.
Primeira etapa: projetar um “Escudo de casal”
A experiência de ter um escudo pode ser interessante para sintetizar nossa missão enquanto esposos, pais e filhos. Por isso, vamos compartilhar como desenvolvemos essa proposta.
O trabalho proposto articula-se em quatro etapas que envolvem um discernimento autêntico e compartilhado. Olhando para o caminho já percorrido – feito de compromisso, diálogo e reflexão –, o casal pode reconhecer sua identidade e intuir o projeto de Deus sobre sua vida, relendo a experiência vivida para descobrir seu “nome” como casal.
Como desenvolver um escudo?
Os ideais sempre foram representados por meio de símbolos, como bandeiras, estandartes ou escudos. Essa linguagem simbólica está presente tanto na vida civil quanto na eclesial. Basta pensar, por exemplo, no brasão papal de João Paulo II, com a letra “M” de Maria ao lado da cruz e o lema Totus tuus.

À luz dessa experiência, propomos criar um escudo de casal dividido em cinco campos:
- o primeiro é dedicado à nossa história, um símbolo que remete a dois ou três momentos fundamentais da trajetória vivida;
- o segundo diz respeito à relação entre os cônjuges: qual atitude, mais própria e distintiva, caracteriza a relação recíproca?
- no terceiro campo é expresso o ideal referente à família e aos filhos: que clima desejamos que se respire em nossa casa?
- o quarto campo representa o que mais caracteriza nosso espírito apostólico;
- finalmente, o quinto campo, o quadrado no centro do escudo, simboliza o que é mais característico de nossa relação com o mundo sobrenatural.
Ao criar o escudo da família, pode-se escolher um ou dois símbolos que resumam todo o ideal familiar, pois o símbolo tem uma força evocativa mais profunda do que as palavras. O escudo torna-se, assim, um sinal personalizado que expressa o carisma e a vocação do casal, seu caminho de fé e a Aliança de Amor com Maria. Pode-se incluir símbolos e cores com significado espiritual, lemas e valores concretos que definem a missão familiar.
Próximas etapas para formular o “Ideal Matrimonial”
O escudo possibilita ter uma visão mais clara sobre as características de nossa família. Isso nos direciona a uma nova etapa, na busca por um “Ideal Matrimonial”.
O próximo passo é recapitular e anotar o que é mais importante sobre o trabalho realizado no percurso do casal ao longo da vida, nos seguintes aspectos:
- Nossa história espiritual (2 ou 3 elementos da reflexão feita pelo casal);
- Nossas características como casal e família (aquelas que mais nos identificam, não mais do que 3);
- Os valores ou atitudes que sentimos ser chamados a encarnar e irradiar (não mais do que 2 ou 3)
- As principais tarefas que sentimos ser chamados a realizar como casal, como família e no âmbito do Movimento, da Igreja, do trabalho, etc. São tarefas que desenvolvem ou reforçam os valores ou atitudes que caracterizam o casal.
Formulação do “Ideal de casal”
Depois de realizar a reflexão sintética descrita acima, podemos formular um “Ideal de casal”. Ele pode ser formulado:
- com um nome. Exemplo: “Casa de Nazaré”;
- com um lema. Exemplo: “Casa aberta ao mundo”;
- também podemos escolher um símbolo que nos represente. Exemplo: “o fogo”.
Oração do casal
Outra etapa interessante é a formulação de uma oração própria entre os esposos. Deve ser redigida uma breve oração em casal que reúna seus ideais e desejos. Nós a oferecemos ao Senhor e à Mãe, pedindo-lhes a graça de poder encarná-los. Sugere-se que cada um a redija pessoalmente e depois a compartilhe com o cônjuge, criando uma oração única para o casal. Ela não deve ser mais longa do que o Pai Nosso ou a Pequena Consagração.

A importância do “Ideal Matrimonial” na sociedade contemporânea
O ideal do casal é o sonho de Deus para o casal: uma força que une, orienta e dá sentido à vida conjugal. Através do sacramento, os cônjuges são chamados a tornar visível o amor fiel e fecundo de Cristo pela Igreja, cada um de acordo com sua história e seus desafios. Esse ideal não se impõe de fora, mas cresce de dentro, como um desejo profundo que pede para ser reconhecido e cultivado.


